Medo de não ser um bom programador (e como resolver)

Esse medo é real, afeta todo mundo e tem um motivo muito específico. E quando você entende qual é esse motivo, fica muito mais fácil de lidar com ele.


Vou começar dizendo uma coisa que talvez te surpreenda: esse medo é real.

Não vou te falar que você está pensando besteira ou que isso não existe. O medo de não se tornar um bom programador, um bom profissional, passa pela cabeça de muita gente. Iniciantes, quem já está no meio do caminho, quem já é profissional e tem medo de não conseguir chegar no próximo nível. É um medo real e é um medo normal.

A segunda coisa: você não é o único. Isso não é exclusivo da programação. Qualquer pessoa que está começando alguma coisa passa por isso.

O efeito do YouTube

Você começa a aprender programação, vai atrás de tutoriais, encontra aquele canal com o cara que parece dominar tudo. Ele entra numa introdução rápida e já está codando algo impressionante, parece fácil, parece natural.

E aí, em vez de só aprender, você começa a se perguntar: será que eu chego nesse nível algum dia?

Isso é o mesmo que alguém começando a jogar futebol e assistir Cristiano Ronaldo. A reação natural é: caramba, será que eu chego aí? Mas isso não significa que você não deve jogar, significa que você acabou de ver alguém no topo de uma jornada de anos.

Talento ou esforço

Existe um debate que vai influenciar diretamente a forma como você lida com esse medo.

Tem gente que acredita na questão do talento natural, que algumas pessoas nascem com aptidão para determinadas coisas e que existe um teto para quem não nasceu com aquilo. Pode até treinar, mas vai chegar num ponto e não passa.

E tem gente que acredita no esforço, na constância. Que o Cristiano Ronaldo não é bom porque nasceu diferente, mas porque aplicou um volume absurdo de esforço ao longo de anos. E que se ele resolvesse pegar esse mesmo esforço e direcionar para o tênis, seria o melhor do mundo no tênis também.

Eu acredito na segunda. Não estou dizendo que talento não existe ou que você está errado se pensa diferente. Mas o que eu percebo é o seguinte: quando você acredita que o que define seu progresso é esforço, você assume a responsabilidade pelo seu próprio avanço.

Quando você acredita que é tudo talento e bate numa dificuldade maior, a saída fácil é dizer "não é para mim, não nasci para isso" e desistir. Você tem para quem transferir a culpa. Quando você acredita no esforço, a mesma dificuldade vira um degrau que você precisa escalar. Você assume que é seu trabalho passar por ela.

Isso muda tudo.

De onde vem o medo de verdade

Aqui está o ponto central: o medo de não ser um bom programador não é medo do presente. É ansiedade sobre o futuro.

Você olha para frente, vê o tamanho do caminho, vê tudo que ainda tem para aprender, vê sistemas complexos que ainda não consegue criar, e esse horizonte todo vira um peso.

E aí você se pergunta: será que eu chego lá?

Só que o problema não é o caminho. O problema é que você está olhando para o caminho inteiro ao mesmo tempo, em vez de olhar para o próximo degrau.

O que resolve

Para de olhar para frente.

Não para sempre. Você pode e deve entender para onde está indo, ter noção do caminho. Mas depois que você orienta a direção, abaixa a cabeça e foca no que está na sua frente agora.

O que você precisa aprender hoje? O que você precisa fazer essa semana? Foca nisso.

A ansiedade de não ser um bom programador desaparece quando você para de se perguntar "eu vou chegar lá?" e começa a se perguntar "o que eu faço agora para dar o próximo passo?"

E o que alimenta isso é constância. Não velocidade. Não talento. Constância. Um por cento a cada semana, composto ao longo do ano, já é cinquenta por cento de evolução. Isso é considerando um ritmo tranquilo. E é praticamente impossível você não se tornar um bom programador se você não parar.


Quando eu decidi aprender Python agora, poderia ter ficado pensando: será que eu consigo? Vai ser muito diferente do que eu já sei? Não. Eu já sei que existe um caminho. Sei que é longo. E sei que o que eu faço é: aprendo o básico da linguagem, entendo o ambiente, começo pelos fundamentos e vou progredindo.

Não tenho medo porque sei que se eu continuar aplicando esforço e constância, é impossível não evoluir.

Esse é o único segredo.