Faculdade de programação, vale a pena?

Existem três visões sobre fazer faculdade para programar. Entenda os prós, os contras e quando cada decisão faz sentido pra você.


Sobre faculdade para quem quer programar, existem basicamente três tipos de opinião circulando por aí. E é importante você não se prender à opinião de uma pessoa só, incluindo a minha.

Os três grupos de opinião

O primeiro grupo defende que sem faculdade você não vai a lugar nenhum. Para eles, é lá que você aprende tudo que precisa, então é faculdade ou nada.

O segundo grupo é o oposto completo: faculdade não serve pra nada, é uma perda de tempo e de dinheiro gigantesca. Numa faculdade pública, por exemplo, em vez de pagar com dinheiro você paga com tempo, estudando manhã, tarde e noite, sem sobrar espaço pra trabalhar. E boa parte do conteúdo, segundo esse grupo, nem é usado no mundo real.

Eu me encaixo num terceiro grupo, que não compra nenhuma das duas bandeiras por completo. Faculdade tem benefícios reais e também tem problemas reais. Entendendo os dois lados, dá pra tomar uma decisão que faz sentido pra sua situação específica, seja fazendo ou não fazendo.

O ponto a favor: a porta mais fácil pro mercado

Uma das formas mais fáceis de entrar na área de tecnologia é através de estágio. E pra fazer estágio, legalmente você precisa estar cursando uma faculdade.

Isso conecta com algo que aparece com frequência em entrevistas com empresários de tecnologia: a maioria prefere contratar alguém com menos experiência e desenvolver essa pessoa internamente do que trazer alguém já pronto de fora. E também prefere desenvolver quem já está dentro da empresa a contratar um novo júnior externo, porque quem já está lá conhece a dinâmica, o ambiente, tem familiaridade.

Juntando os dois pontos: conseguir um estágio te coloca automaticamente do lado de dentro dessa preferência. Você não é mais alguém de fora tentando entrar, você já é alguém que a empresa tem motivo pra investir e desenvolver. E isso não significa que estágio é o único caminho, longe disso, mas é um dos mais diretos.

O ponto contra: tempo e dinheiro pelo retorno que você tem

Aqui, deixando o diploma de lado por um momento, eu concordo bastante com o segundo grupo. Você vai passar meses vendo assunto que daria pra aprender em poucos dias com alguns vídeos ou um curso direcionado. Isso acontece porque o sistema educacional carrega uma estrutura com muita informação que não é aplicável no dia a dia, e isso não é exclusividade de faculdade de tecnologia, é assim em várias áreas.

Se o seu objetivo é aprender a programar de verdade, a maior parte disso vai vir de fora da faculdade, seja por curso, por vídeo, pela prática. A faculdade entra como complemento, não como a fonte principal do seu aprendizado técnico.

O benefício que pouca gente valoriza: contatos

Esse é o ponto que eu mais recomendo explorar se você decidir fazer faculdade: construir uma rede de contatos dentro dela, principalmente com professores que também atuam no mercado, não só os que são puramente acadêmicos.

Professor que trabalha ou já trabalhou na área tem contatos que você ainda não tem. Se você constrói uma relação com ele, no dia que surgir uma vaga, seu nome é o que vem à cabeça. Se você só assiste aula, nunca tira dúvida e vai embora, ninguém vai lembrar de você quando a oportunidade aparecer.

Vale dizer que isso também dá pra construir fora da faculdade, através de comunidades ativas de programação. A diferença é que na faculdade o ambiente já favorece esse tipo de aproximação, principalmente presencial. Fora dela, o esforço pra se colocar dentro da bolha do mercado precisa ser mais deliberado.

Então, vale a pena fazer?

Minha resposta, como alguém do terceiro grupo: se você tem o dinheiro ou tem o tempo disponível pra investir numa faculdade, faça.

O diploma não é obrigatório pra conseguir uma vaga, mas ele ajuda. Ele representa um esforço sustentado ao longo do tempo, terminar algo que leva anos não é pouca coisa, e isso conta como critério de desempate em processos seletivos.

Agora, se você não tem esse dinheiro ou esse tempo sobrando, não se preocupe. Dá pra entrar no mercado sem faculdade, participando de comunidades, construindo portfólio, cuidando do LinkedIn e do GitHub, e sendo alguém presente e ativo nesses espaços. O caminho é diferente, mas existe, e passa por consistência mais do que por atalho.