Claude 4 chegou, o que muda pra você dev

A Anthropic lançou a família Claude 4 com Opus 4.7, Sonnet 4.6 e Haiku 4.5. Aqui vai um guia prático sobre o que cada modelo faz, quanto custa e quando usar cada um no seu projeto.

tecnico ia 6 min de leitura

Introdução

A Anthropic foi lançando os modelos da família Claude 4 ao longo dos últimos meses e agora temos o pacote completo na mesa: Haiku 4.5 desde outubro de 2025, Sonnet 4.6 em fevereiro de 2026 e o mais recente, Opus 4.7, lançado em 16 de abril de 2026. Se você ainda não parou pra entender o que mudou de verdade, esse post é pra você.

Visão geral da família Claude 4

Antes de entrar em detalhes, o mapa geral:

ModeloLançamentoPreço (input/output por MTok)Contexto
Claude Haiku 4.5Out/2025$1 / $5200k tokens
Claude Sonnet 4.6Fev/2026$3 / $151M tokens (beta)
Claude Opus 4.7Abr/2026$5 / $251M tokens

Três modelos, três perfis de uso. A Anthropic manteve a lógica de sempre: Haiku pra volume, Sonnet pra o dia a dia, Opus pra os casos mais pesados.

Claude Haiku 4.5: rápido, barato e mais capaz do que parece

O Haiku 4.5 é o modelo de entrada da família, mas não subestime ele. Com 200k de contexto e suporte completo a tool use e function calling, ele consegue lidar com muita coisa que, em gerações anteriores, exigiria um modelo maior.

O perfil de uso que faz mais sentido aqui: classificação de textos, triagem de tickets, geração simples de conteúdo e qualquer pipeline de alto volume onde custo importa muito. A $1/MTok de input, você consegue rodar muito mais chamadas com o mesmo orçamento.

O que ele não entrega:

  • Extended thinking
  • Acesso ao contexto de 1M tokens

Se o seu caso precisa de raciocínio mais profundo, o próximo tier já resolve.

Claude Sonnet 4.6: o modelo padrão pra maioria dos devs

Esse aqui virou o modelo padrão pra quem trabalha com Claude profissionalmente. O Sonnet 4.6 tem extended thinking ativo, suporte ao contexto de 1M tokens (via header na requisição) e um equilíbrio muito bom entre qualidade e preço.

Na prática, a comunidade de devs chegou num consenso bem claro: Sonnet 4.6 pra 80% dos casos em produção. Coding assistants, sumarização de documentos longos, geração de código com contexto amplo, chatbots que precisam de memória longa. Tudo isso roda bem aqui.

O preço de $3/MTok de input coloca ele num ponto confortável. É 3x mais caro que o Haiku, mas o salto de qualidade justifica em boa parte dos casos.

Claude Opus 4.7: quando o problema é mesmo difícil

O Opus 4.7 é a novidade mais recente e o que a Anthropic entregou aqui é bastante relevante pra quem trabalha com agentes autônomos e tarefas de coding complexas.

O que melhorou de verdade

Coding: O SWE-bench Verified saltou de 80.8% (Opus 4.6) pra 87.6% no Opus 4.7. No SWE-bench Pro, foi de 53.4% pra 64.3%. Esses números importam porque o SWE-bench testa problemas reais de repositórios open source, não puzzles sintéticos. Se você usa o modelo pra resolver issues difíceis de forma autônoma, vai sentir a diferença.

Visão de alta resolução: O Opus 4.7 é o primeiro Claude com suporte a imagens de alta resolução, com máximo de 2576px (3.75MP). Antes era limitado a 1568px (1.15MP). Pra quem processa screenshots, diagramas ou documentos escaneados, isso muda bastante a qualidade do output.

Task budgets: Uma feature nova e interessante. Você passa pro modelo uma estimativa de tokens pra completar uma tarefa em loop agêntico, e ele usa isso como referência pra priorizar o trabalho. Útil quando você quer controle mais fino sobre o custo de operações longas.

Memória em arquivo: O Opus 4.7 ficou visivelmente melhor em usar scratchpads e arquivos de notas entre turnos de uma conversa. Se você tem agentes que mantêm estado via filesystem, isso é diretamente relevante.

Novo nível de esforço: Agora tem um nível xhigh entre high e max. Mais granularidade pra controlar quanto o modelo pensa antes de responder.

Novo tokenizador: Atenção aqui. O Opus 4.7 usa um tokenizador diferente e, dependendo do tipo de texto, ele pode usar até 1.35x mais tokens que os modelos anteriores. Vale fazer um teste de custo antes de migrar workloads grandes.

Sobre o reasoning

Uma mudança de comportamento importante: a partir do Opus 4.7, os blocos de thinking não aparecem na resposta por padrão. Eles continuam existindo no stream, mas com campos vazios. Se você quer acessar o raciocínio do modelo explicitamente, precisa optar por isso na chamada. Isso reduz um pouco a latência pra quem não precisa do thinking.

Como escolher o modelo certo

A regra prática que a comunidade consolidou:

  • Haiku 4.5: classificação, triagem, tarefas simples em alto volume
  • Sonnet 4.6: a maioria das tarefas em produção, coding cotidiano, RAG, chatbots
  • Opus 4.7: agentes autônomos, tarefas de coding muito complexas, visão de alta resolução, raciocínio profundo

Não precisa escolher só um. Um padrão comum é usar Haiku pra pré-processar ou filtrar, Sonnet pra o trabalho principal, e Opus só quando o problema genuinamente exige o nível máximo.

Começando a usar via API

Se você ainda não tem conta na Anthropic, cria em console.anthropic.com. A documentação principal fica em docs.anthropic.com.

Chamada básica com Python:

import anthropic
 
client = anthropic.Anthropic()
 
message = client.messages.create(
    model="claude-opus-4-7",  # ou claude-sonnet-4-6 / claude-haiku-4-5
    max_tokens=1024,
    messages=[
        {"role": "user", "content": "Explica a diferença entre BFS e DFS em grafos."}
    ]
)
 
print(message.content)

Pra usar o contexto de 1M tokens no Sonnet 4.6, adiciona o header:

message = client.messages.create(
    model="claude-sonnet-4-6",
    max_tokens=4096,
    extra_headers={"anthropic-beta": "long-context-window-2025-01-01"},
    messages=[...]
)

Vale migrar agora?

Se você já usa Claude 3.x ou versões anteriores do Claude 4, a resposta depende do seu caso.

Pra coding agents e tarefas que exigem raciocínio profundo, sim, o Opus 4.7 é um salto real, especialmente em software engineering. Pra workloads de produção mais gerais, o Sonnet 4.6 já está bem maduro desde fevereiro. Só lembre de testar o custo com o novo tokenizador do Opus antes de migrar em escala.

Conclusão

A família Claude 4 consolida uma estrutura clara pra diferentes perfis de uso. Haiku pra volume, Sonnet pra o dia a dia e Opus pra quando o problema realmente exige o melhor. Com o Opus 4.7 entregando ganhos concretos em coding, visão e controle agêntico, é um bom momento pra revisitar como você está usando a API e ver se tem oportunidade de melhorar qualidade ou reduzir custo com o modelo certo pra cada tarefa.