7 Formas (Diferentes) de Organizar o Tempo Para Estudar Programação

Organizar o tempo para estudar programação vai muito além de montar uma grade horária. Tem cansaço mental, procrastinação, distração e ansiedade no meio. Aqui estão sete formas concretas de lidar com isso.


Programação tem um detalhe que poucas pessoas mencionam quando falam de organizar os estudos: o cansaço mental. Longas sessões de estudo, ou até de trabalho com código, causam um tipo de esgotamento específico. Em algum momento você olha para uma linha de código e simplesmente não processa mais nada. A cabeça trava.

Isso não é frescura, é fisiologia. E ignorar esse fator é o caminho mais rápido para largar tudo no meio.

Existe uma técnica muito conhecida para lidar com isso, o Pomodoro, que funciona mais ou menos assim: você estuda por 25 minutos, descansa 5 minutos saindo da frente do computador, repete esse ciclo algumas vezes e depois faz uma pausa maior. É simples, mas é eficiente. Uso quando estou programando e recomendo.

Mas além da técnica de pausas, tem outras coisas que fazem diferença real na hora de organizar os estudos. São sete pontos que quero passar aqui.

1. Foco em progresso, não em resultado

Quando você monta um plano do tipo "vou estudar HTML e CSS essa semana, JavaScript na próxima, depois framework X", você está assumindo que em uma semana vai chegar em um nível bom o suficiente para pular para o próximo assunto. E isso quase nunca acontece.

O problema é que quando a semana acaba e você não dominou o que planejou, existe uma pressão artificial para pular mesmo assim, porque "a outra semana é de JavaScript". Aí você avança com lacunas.

A alternativa é simples: você define uma quantidade de horas por dia, e dentro dessas horas você estuda o que precisa estudar, sem data para terminar o assunto. Amanhã você continua de onde parou. Depois de amanhã, idem.

Quando você foca em progresso, a ansiedade de "quando vou aprender X?" diminui muito. E, paradoxalmente, você aprende mais rápido, porque não está pulando etapas para cumprir um calendário imaginário.

2. O esquema da aula em três etapas

Esse ponto é sobre como estudar, não só quando estudar. Mas afeta diretamente a organização porque define o tempo real que cada aula vai tomar.

A ideia é a seguinte. Quando você pega uma aula para estudar:

Primeiro, assiste sem fazer nada junto. Sem código aberto, sem tentar reproduzir ao mesmo tempo. Só presta atenção na lógica do que está sendo feito.

Depois, assiste de novo, agora tentando fazer junto. Pode acelerar o vídeo se quiser, já que você já viu uma vez.

Por último, fecha a aula e tenta fazer a mesma coisa sozinho. Não vai sair perfeito, e tudo bem. O processo é esse.

Mas tem um quarto passo que é onde o aprendizado de verdade acontece: pegar o que você fez e modificar. Se a aula mostrou um sistema de login com e-mail e senha, tenta adaptar para funcionar com CPF. Agora você vai esbarrar em problemas novos, vai precisar pensar em validação, vai resolver coisas que a aula não resolveu. É aqui que o conhecimento gruda.

Isso tudo é para uma única aula. Então se você fica preocupado com quando vai terminar o curso, essa preocupação vai trabalhar contra você. O foco é na aula atual, e só.

3. Se quiser parar, pare

Tem uma pressão mental muito comum de se sentir mal por não conseguir estudar em algum dia. Surgiu um imprevisto, você está cansado, alguma coisa aconteceu, e aí vem a sensação de que falhou.

Não existe razão para isso.

Se você precisa parar, para. Se está cansado, tira alguns dias de descanso. Se não dá para fazer as duas horas que planejou, faz vinte minutos. Vinte minutos é muito melhor do que zero.

Existe uma ideia simples que gosto muito: um é maior do que zero. Um por cento de progresso ainda é progresso. Se você não conseguiu o que planejou mas fez alguma coisa, você está à frente de onde estava ontem.

4. A regra dos dois dias

Esse ponto complementa o anterior. Parar quando precisar é saudável. Mas existe uma linha tênue entre descanso e procrastinação, e você precisa de um critério para saber quando cruzou essa linha.

A regra dos dois dias é esse critério.

A regra é simples: você não se permite passar mais de dois dias seguidos sem estudar. Um dia sem estudar, tudo bem. Dois dias seguidos, ainda aceitável. Três dias seguidos, não, esse é o limite.

Então se hoje é segunda e você não estudou, tudo bem. Se na terça também não deu, ainda tudo bem. Mas na quarta não existe desculpa. Você vai lá e faz pelo menos alguma coisa.

Isso impede que o descanso vire uma semana sem código, que vira um mês, que vira "eu tentei aprender programação uma vez".

5. Olhe só para o próximo passo

Quando você olha para um curso com centenas de horas de conteúdo, ou para uma área inteira que ainda não domina, a sensação pode ser de sobrecarga. Parece grande demais.

O problema não é o conteúdo, é o ângulo. Você não precisa processar tudo de uma vez.

Pensa assim: se você está aprendendo HTML, o próximo passo é fazer alguns sites. Não é terminar o módulo, não é aprender CSS avançado ainda. É pegar um layout bonito que você achou numa busca no Google e tentar recriar em HTML e CSS. Só isso.

Quando você conseguir fazer isso com facilidade, aí sim você adiciona o próximo elemento. Um passo de cada vez.

Olhar demais para frente gera ansiedade sem necessidade. O progresso acontece no passo atual, não no que está a dez passos de distância.

6. Feche as distrações antes de começar

Você pode fazer tudo certo nos cinco pontos anteriores e ainda assim desperdiçar o tempo de estudo se não fechar as distrações.

Quando vou programar ou estudar, fecho todas as abas que não preciso. Se não é possível fechar, abro uma nova janela limpa só com o que preciso e minimizo o resto. O celular, se der, fica virado para baixo ou em outro cômodo.

Parece óbvio, mas a maioria das pessoas começa a sessão de estudo com um navegador cheio de abas abertas, notificações ativas e o celular na mesa. E aí fica se perguntando por que não consegue se concentrar.

O ambiente de estudo precisa ser preparado antes de começar, não ajustado no meio.

7. Compromisso público

Esse último ponto não funciona igual para todo mundo, mas funciona muito bem para bastante gente.

A ideia é simples: você anuncia para alguém, ou em algum lugar, que vai estudar. Pode ser um grupo, uma rede social, um amigo. O ato de colocar isso para fora cria uma responsabilidade que vai além da sua vontade interna.

Se quiser levar um pouco mais a sério, tem uma versão com aposta financeira: você combina com um amigo que se não mandar prova de que estudou até tal hora, você paga algum valor para ele. Pode parecer extremo, mas funciona.


Esses sete pontos não precisam ser seguidos todos de uma vez. Começa pelo que fizer mais sentido para a sua situação agora. Talvez seja o foco em progresso. Talvez seja a regra dos dois dias. Talvez seja simplesmente fechar as abas antes de sentar para estudar.

O que importa é que você vai avançando. Sem pressão, sem comparar com ritmo de outro, sem se cobrar por dias que não saíram como planejado. Progresso constante, mesmo que pequeno, sempre vai ser melhor do que paralisação perfeita.