Entenda a Polêmica do TypeScript
Nenhuma grande empresa está abandonando o TypeScript e o mundo não vai se acabar. Vou explicar direitinho o que de fato aconteceu nessa polêmica.
Já adianto: nesse post não tem nenhuma grande empresa abandonando TypeScript e nada vai se acabar. O que eu quero é explicar direitinho essa polêmica para você entender o processo sem cair no alarmismo que rolou por aí.
Como tudo começou
Tudo começou quando um dos responsáveis pela Turbo, biblioteca que ajuda a reduzir a quantidade de JavaScript que você escreve, deixando o HTML fazer parte do trabalho, anunciou que iria remover o TypeScript da biblioteca completamente. E de fato fizeram isso: um pull request removendo TypeScript do código fonte, trocando os arquivos .ts por .js e fazendo uma limpeza geral.
Só que remover o TypeScript do código fonte de uma biblioteca não é o problema. O problema foi remover também as definições de tipagem dela.
Por que isso incomodou tanta gente
Quando uma biblioteca usada por outros desenvolvedores remove as definições de tipagem, o autocomplete simplesmente para de funcionar para quem usa TypeScript no próprio projeto. Você perde a referência rápida de quais funções e propriedades existem e passa a depender só da documentação.
A justificativa foi que isso deixaria o código fonte mais limpo, com menos "sujeira" de tipagem. Faz sentido para o código interno da biblioteca. O problema é que dava para resolver isso de um jeito bem mais simples: manter um arquivo de definição de tipos separado, só para quem consome a biblioteca continuar tendo o autocomplete, mesmo sem TypeScript rodando no core dela.
Vale registrar que a pessoa por trás dessa decisão, um dos criadores do Ruby on Rails, já tem um histórico de decisões polêmicas ao longo do tempo. Essa é possivelmente só mais uma delas.
O Svelte também abandonou o TypeScript?
Aproveitando a repercussão, começou a circular que o Svelte também iria remover TypeScript. Não é verdade, o Svelte continua usando TypeScript normalmente, inclusive com o tsconfig.json de configuração e checagem de tipos ativa.
O que de fato aconteceu foi diferente: um dos criadores do Svelte trocou os arquivos de definição de tipagem de .ts para .js, documentando os tipos com JSDoc. Isso trouxe um benefício prático: quando você segura Ctrl e clica em uma função para ver sua definição, em vez de cair só na definição de tipo, você vai direto para o código real daquela função dentro do próprio node_modules. Só que, pelo simples fato de terem trocado a extensão do arquivo, várias pessoas interpretaram isso como abandono do TypeScript, o que não é o caso.
A piada do Drizzle que ninguém entendeu
Para completar a bagunça, o Drizzle, uma biblioteca de ORM, publicou um tweet dizendo que também iria remover TypeScript. Era uma piada, mas sem nenhum sinal claro de que era brincadeira, e boa parte das pessoas levou a sério. Isso só jogou mais lenha numa fogueira que já estava acesa.
Grandes empresas continuam usando TypeScript sem problema
Enquanto essa polêmica toda rolava, tem gente respondendo com exemplos do dia a dia real. Um desenvolvedor conhecido, o Theo, contou que quando trabalhava no Twitch ajudou a tirar de produção uma base de código feita em Ruby on Rails por causa de problemas de escalabilidade e manutenção, hoje resolvidos com outra stack.
E tem quem defenda o TypeScript com argumento direto: as definições de tipo ajudam times de engenharia a crescer mantendo padrão de código, porque outras pessoas conseguem entrar no projeto, usar autocomplete e entender o que já existe sem precisar decorar a base inteira.
Ou seja, empresas grandes continuam usando TypeScript todos os dias, sem drama nenhum.
A mensagem que realmente importa
Toda essa história é só uma desculpa para falar de algo mais importante: como consumidor de conteúdo, você precisa ativar um filtro para esse tipo de polêmica.
Notícia catastrófica, alarmista, do tipo "isso vai acabar" ou "fulano está abandonando tal tecnologia", sempre vai gerar mais visualização. Isso é quase instintivo: a gente se importa mais com notícia ruim porque ela mexe com nosso senso de sobrevivência. Por isso vídeos e posts com título de Apocalipse tecnológico funcionam tão bem.
O problema é que isso prejudica principalmente quem está começando. Iniciante já lida com excesso de caminhos possíveis, linguagens, frameworks e bibliotecas diferentes. Quando aparece um conteúdo alarmista em cima disso, a pessoa só fica mais perdida e mais insegura sobre a escolha que fez.
Não tem problema nenhum usar técnicas de marketing para chamar atenção, eu mesmo fiz isso ao escolher o título deste post. O problema é exagerar o fato até criar um senso de urgência que não existe, só para garantir visualização.
Então da próxima vez que você ver um título tipo "fulano vai acabar com o TypeScript" ou "tal framework vai substituir o React", vale parar um segundo e perguntar: essa pessoa está tentando me informar ou só está atrás de clique? Relaxa, as coisas raramente são tão dramáticas quanto parecem.
Se esse post te ajudou a entender melhor essa polêmica, deixa aqui nos comentários o que você acha do assunto.
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