Diminua seus objetivos (não é o que você pensa)
Todo guru fala para mirar alto. Mas tem algo que ninguém explica sobre o que acontece quando você mira alto demais sem entender o que isso significa.
Todo guru, todo coach, todo livro de desenvolvimento pessoal fala a mesma coisa: mire na lua, pense grande, objetivo insano. E não é que estejam errados. O problema é o que eles não explicam depois disso.
O que acontece quando você mira alto demais
Você define um objetivo grande. Quer se tornar um desenvolvedor full stack, por exemplo. Aí começa a pesquisar o que precisa aprender para chegar lá. E aparece uma lista enorme, de tecnologias, conceitos, ferramentas, frameworks.
Nesse momento duas coisas podem acontecer.
A primeira é você olhar para essa lista e pensar que não é pra você. Que tem coisa demais. Que vai demorar até 2050 para aprender tudo isso. E desiste antes mesmo de começar.
A segunda é você olhar para a lista e ficar animado demais. Começa HTML, pula para CSS, já quer enfiar JavaScript, aí ouve falar de React, depois de Node, e vai tentando pegar tudo ao mesmo tempo. Aprende um pouquinho de cada coisa e não avança de verdade em nenhuma.
Das duas uma: ou você desiste logo de cara por excesso de informação, ou você se anima tanto que aprende tudo superficialmente e trava na hora de fazer algo mais complexo. O resultado final dos dois caminhos é o mesmo: desistência.
O problema não é o objetivo grande
O problema é ficar olhando pra ele o tempo todo.
Imagina que você vai construir uma pirâmide. Se você fica olhando para o topo o tempo inteiro enquanto tenta assentar as pedras da base, você vai errar. Você precisa olhar para o que está na sua frente agora.
A ideia de diminuir o objetivo não é abandonar o sonho grande. É parar de olhar pra ele enquanto você trabalha.
Como aplicar isso na prática
Você quer ser um desenvolvedor full stack. Pesquisa o que precisa aprender e monta uma lista de 150 itens, exagero pra ilustrar, mas você entende a ideia.
Pega essa lista, identifica o item um e joga os outros 149 em uma gaveta. Esquece que eles existem. Não pesquisa sobre frameworks do futuro, não fica comparando se vai aprender PHP ou Node, não acompanha tendências de mercado. Por enquanto a única coisa que existe é o item um.
Aprende, pratica, constrói coisas com aquilo. Quando se sentir confortável, abre a gaveta e pega o item dois. Fecha a gaveta de novo e repete o processo.
Você vai trilhando o caminho um degrau de cada vez, olhando para a escada e não para o topo. E isso muda completamente a relação que você tem com o aprendizado.
O que muda na sua cabeça
Quando você para de olhar para a lista inteira e começa a olhar só para o próximo passo, algumas coisas acontecem.
Você deixa de se sobrecarregar. Porque agora o seu "tamanho do problema" não é aprender 150 tecnologias, é aprender HTML. Só isso. E isso é factível.
Você também para de se dispersar. Porque a gaveta está fechada. Não tem por que pesquisar se o que você está aprendendo vai ficar obsoleto ou se existe uma opção melhor. Esse não é o problema de agora.
E o progresso começa a aparecer de verdade. Você termina uma coisa, passa pra outra, termina essa, passa pra próxima. E um dia você vai parar e perceber que está fazendo o front, o back e tudo mais sem ter marcado uma data para isso acontecer.
Não tem um momento exato
Uma coisa que aprendi é que você não vai acordar numa segunda-feira e pensar "hoje eu virei full stack". Não funciona assim. De uma hora pra outra você vai olhar para o que você consegue fazer e perceber que já chegou lá sem ter notado o momento exato em que isso aconteceu.
Isso é o que acontece quando você constrói de verdade, um passo depois do outro, sem ficar olhando o tempo todo para onde quer chegar.
Objetivo grande, ação pequena e focada. Essa é a combinação.
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